Após a leitura de Vozes de Tchernóbil, estou pensando seriamente em reiniciar a
leitura de O Homem sem Qualidades, de
Robert Musil. Estou sentindo a necessidade de uma descoberta mais profunda de
mim mesmo, e como não tenho condições, por enquanto, nem de tempo nem de
dinheiro de me consultar com um psicanalista, pensei que uma aventura
intelectual deste nível poderia ser uma boa pedida. Esses livros que expõem um
panorama geral de uma determinada sociedade e seus conflitos são, pelas minhas
experiências anteriores de leitura, muito enriquecedoras. Eu já havia lido as
primeiras 300 páginas no fim do ano passado, mas larguei a leitura quando
percebi que não a estava fazendo da maneira correta. Estava lendo nas pressas
um livro que não é para ser lido nas pressas, ainda que, de qualquer forma,
ele já estivesse me trazendo muitas inquietações subconscientes. Eu havia decidido
que, quando o retomasse, iria fazer uma leitura reflexiva. Muitos dos pontos de
vista, dos perfis de personalidade que eu imensamente me identifico, que
refletem a mim mesmo, foram encontrados tanto em personagens absolutamente
cativantes como em outros abomináveis e moralmente repreensíveis, e tudo isso
me incomodou bastante, mas ao mesmo tempo, exerceu em mim um fascínio estranho.
Imediatamente tive de fechar o calhamaço. Prosseguir numa leitura superficial
seria um tempo mal gasto. Para uma autodescoberta, sinto que este é o livro
ideal. Essa necessidade que sinto agora é bem curiosa, visto que o protagonista
do livro tem esse mesmo intuito. Como se dá o desenvolvimento do
autoconhecimento numa sociedade tecnocrata? Qual o destino daqueles que se
propõem a pensar livremente numa era em que as profissões se encontram institucionalizadas
no âmbito do estado e das empresas públicas e privadas? Pois bem, a partir de agora, inicio esse
projeto de tempo indeterminado, e convido quem porventura vier a ler esse blog a me
acompanhar nessa empreitada.

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