domingo, 26 de junho de 2016

Presente do dia dos namorados ou sobre escutar o que os outros têm a dizer sem condescendência para vozes extremistas

12 de junho de 2016. No dia dos namorados, ganhei uma caixinha vermelha repleta de bombons trufados (guloso que sou, comi todos naquele mesmo dia) e de tiras de papel maché coloridas como adorno, por baixo das quais havia um pacote embrulhado. Logo reconheci o formato de um livro, e pelo peso e tamanho, tentei adivinhar qual o titulo, sem lograr sucesso. Não lembro exatamente qual o livro que imaginei que fosse (acho que Nada a Invejar, sobre a realidade da vida na Coréia do Norte, o país mais fechado do mundo, que eu quero muito ler). Quando rasguei o pacote, vi o livro Vozes de Tchernóbil – A História Oral do Desastre Nuclear. No mesmo dia comecei a ler e terminei suas cerca de 380 páginas exatamente em duas semanas, ou seja, hoje, 26 de junho de 2016. Trata-se de uma série de relatos compilados por Svetlana Aleksiévitch, autora desse e de outros livros de relatos que cursam acerca de aspectos diversos da realidade e da sociedade soviética do século XX e XXI, que lhe renderam o Prêmio Nobel de Literatura de 2015. Em seu discurso após receber o prêmio, ela falou: “Flaubert disse de si mesmo que era um ‘homem pena’. Posso dizer que sou uma ‘mulher ouvido’”. E é isso mesmo. Após lê-lo, recebi o convite de aprimorar a capacidade de escutar e de calar nos momentos corretos, de ouvir o que as outras pessoas têm a dizer sem julgamentos, sem reservas, a necessidade de desenvolver o respeito pela diversidade de vozes e opiniões sem ser condescendente com opiniões extremistas. O termo “coro de vozes”, a técnica que ela utiliza em sua escrita, é um conceito lindo que abarca toda a diversidade de melodias existentes numa só partitura. O discurso de Chimamanda Ngozi Adichie no TED sobre a necessidade da multiplicidade de vozes para se quebrar os malefícios provocados pela formação e sedimentação de estereótipos nunca fez tanto sentido para mim quanto quando da experiência de ler este livro. Um belo presente de dia dos namorados, não? As reflexões que esta obra-prima me proporcionou compartilharei aos poucos em textos futuros.


  

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