12 de junho de 2016. No dia dos
namorados, ganhei uma caixinha vermelha repleta de bombons trufados (guloso que
sou, comi todos naquele mesmo dia) e de tiras de papel maché coloridas como adorno, por baixo das quais havia um pacote
embrulhado. Logo reconheci o formato de um livro, e pelo peso e tamanho, tentei
adivinhar qual o titulo, sem lograr sucesso. Não lembro exatamente qual o livro
que imaginei que fosse (acho que Nada a
Invejar, sobre a realidade da vida na Coréia do Norte, o país mais fechado
do mundo, que eu quero muito ler). Quando rasguei o pacote, vi o livro Vozes de Tchernóbil – A História Oral do
Desastre Nuclear. No mesmo dia comecei a ler e terminei suas cerca de 380
páginas exatamente em duas semanas, ou seja, hoje, 26 de junho de 2016.
Trata-se de uma série de relatos compilados por Svetlana Aleksiévitch, autora
desse e de outros livros de relatos que cursam acerca de aspectos diversos da
realidade e da sociedade soviética do século XX e XXI, que lhe renderam o
Prêmio Nobel de Literatura de 2015. Em seu discurso após receber o prêmio, ela
falou: “Flaubert disse de si mesmo que era um ‘homem pena’. Posso dizer que sou
uma ‘mulher ouvido’”. E é isso mesmo. Após lê-lo, recebi o convite de aprimorar
a capacidade de escutar e de calar nos momentos corretos, de ouvir o que as
outras pessoas têm a dizer sem julgamentos, sem reservas, a necessidade de
desenvolver o respeito pela diversidade de vozes e opiniões sem ser
condescendente com opiniões extremistas. O termo “coro de vozes”, a técnica que
ela utiliza em sua escrita, é um conceito lindo que abarca toda a diversidade
de melodias existentes numa só partitura. O discurso de Chimamanda Ngozi
Adichie no TED sobre a necessidade da multiplicidade de vozes para se quebrar
os malefícios provocados pela formação e sedimentação de estereótipos nunca fez
tanto sentido para mim quanto quando da experiência de ler este livro. Um belo
presente de dia dos namorados, não? As reflexões que esta obra-prima me proporcionou
compartilharei aos poucos em textos futuros.
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